sábado, 5 de dezembro de 2009


O mito da criação

A diferença entre as culturas matriarcais, que respeitam,valorizam e sublimam o papel da mulher na sociedade e as culturas patriarcais, que geralmente reprimem e condicionam o papel da mulher, está nos mitos fundadores dessas mesmas culturas. Como exemplo de uma cultura matriarcal, temos na cultura tântrica o mito de Shiva e Shakti, que diz que a mulher (Shakti) leva o Homem (Shiva) ao conhecimento suprêmo através do despertar da Kundaliní (energia ígnea), Kundaliní, que, traduzida à letra, significa "serpentina". Como exemplo de uma cultura Patriarcal, temos uma história bem conhecida por nós, que é o mito de Adão e Eva, em que a mulher (Eva), atraída pelas palavras da serpente, come o fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal, e o dá ao homem (Adão), sendo dessa forma os dois relegados para fora do paraíso, num mundo onde a dor e o sofrimento preencherá para sempre as suas vidas. Repare como os três elementos, Mulher, Homem e serpente estão presentes nas duas histórias, mas entendidos de uma forma diametralmente oposta. No primeiro, a mulher tem um poder fertilizador, projecta o homem para o conhecimento supremo, no segundo, ela têm um efeito destabilizador, trá-lo para planos inferiores, onde experimentará o sofrimento.
Tudo isso parece muito abstracto, mas ainda hoje, nós, que vivemos numa cultura com fundamentos patriarcais e preceitos cristãos, quer queiramos, quer não, somos irremediávelmente influenciados por essa segunda história, mulheres e homens. Quantas de nós, mulheres, não sentiram, em algum momento, que estariam a interpretar esse elemento destabilizador, pela visão distorcida delas próprias ou dos homens que projectam essa imagem sobre elas. Quantas histórias de compatibilidade, entre homens e mulheres, que poderiam resultar num crescimento mutuo, não se transformaram em dor, desperdício e rejeição, devido às normas culturais vigentes. Quanto tempo levará ainda até que a sociedade realize e aceite a feminilidade e os valores associados à mesma?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009


As nossas relações são pontes
de um ser ao outro
sobre a torrente inesperada da vida
lugares de encontro
de amor
ausentes de solidão
existem pontes sem palavras
como a brisa oculta
no silencio da beleza
existem
porque es tu
porque sou eu
porque sem nada
existiríamos juntos
sem fronteiras
unos
como a raiz e a terra
os teus braços imersos nos meus
o teu sopro indistinto do meu
como um só corpo
absoluto

terça-feira, 28 de julho de 2009



Metamorfose

domingo, 5 de julho de 2009


O Espaço cénico
o vazio de onde tudo nasce
onde se deixa de existir em si
para passar a ser veículo de uma arte
de um princípio
de um desejo

saudades

talvez volte a ti
para renascer
não ser mais hoje aquilo que fui ontem
não ser mais eu

apenas
uma doação

porque precisamos de amar
ser devotos do corpo
da palavra
exortar a paixão
o sentimento
num gesto
num som
num movimento


talvez volte a ti
para voltar a existir em ti
não ser mais eu
não ser mais nada

sábado, 4 de julho de 2009


Prejudicar o outro, consciente ou inconscientemente, é o mesmo que prejudicar-se a si próprio.
Pus-me a pensar nas quantas pessoas eu devo ter magoado na minha vida, o mais das vezes, sem querer. Até só por distracção.
E os outros a mim, também!
Simplesmente, interpretamos-nos mal.
Os mal entendidos e conflitos, na maioria, são incitados por pequenas coisas, maiores do que nada, que chegam a tomar dimensões impressionantes.
As guerras por exemplo!
Há que saber viver, saber relacionar-se, é uma arte que se aprende com os que nos estão mais próximos.
Uma arte, sim, e uma ciência também, pois aprendemos através da experiência e do erro.
A vida é assim, uma caixa de surpresas, ou de chocolates, como dizia o Forest Gump, nunca sabemos o sabor do que vem a seguir.

terça-feira, 30 de junho de 2009


Dentro do meu coração existe uma chama que jamais ninguém apagará!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

No círculo de fogo
danço
ao som do universo
ouço o coração pulsar
intensamente

nasce o guerreiro

ao movimentar meu corpo
minha arma
meu poder
transformo o destino

nenhum deus
nem nenhum diabo
comanda mais os meus passos
minha dança é livre
e ensina-me os segredos da vida

manejo as minhas mãos
nas trevas
espalhando a luz
na cadência da luta
defendo-me dos indignos
entrego-me a quem merece

avanço
a cada passo
envergo mais longe
no caminho do conhecimento
nesta dança
nesta luta
que é existir.